terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Pai e Mãe, como ser ou não ser?, eis a questão.

Na postagem "A culpa dos pais", bmello deixou um comentário se referindo a um "psicologismo barato que afirma que tudo tem que ser negociado e que o pai tem que ser antes de tudo um amigo" do filho. Na continuação, bmello coloca que pai e mãe devem antes de tudo, serem pai e mãe. Eu concordo plenamente com a afirmação, embora entenda, e creio que bmello também entende, que a relação entre pais e filhos deve ser a mais amistosa e amável possível. E o que me espanta, é por que e quando os pais resolveram abdicar da hierarquia. Espero não incorrer igualmente em psicologismo barato, mas creio ser um dado -nem digo natural - que o provedor exerça posição de poder. No entanto, parece que garantir a sobrevivência de alguém desde a tenra idade não é mais suficiente. E acho também que a idade com que se tem filhos, cada vez mais tarde, tem alterado a relação pais e filhos. Pais-avós, pais-rotina-de-trabalho, pais-maturidade-profissional... pode ser que tudo isso influencie. A minha convicção é que houve uma mudança no padrão familiar e isso alterou a dinâmica da família e, portanto, de quando ter filhos e como criá-los. Não tenho idade para saudosismos (28 anos), mas o que tenho visto não me parece bom.

Obs: como os padrões de velocidade são estúpidos hoje, o efêmero é a regra, pode ser que 28 anos seja sim uma idade para saudosismos.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Diálogos trágico-cômicos

1.

Aluno: Professor, Vargas se suicidou no primeiro ou no segundo mandato?

Professor: cri cri cri...

2.

Aluno: Professor, como era o cristianismo antes de Cristo?

Professor: Pagão.

sábado, 24 de dezembro de 2011

A culpa dos pais

O episódio é o seguinte. Os alunos do terceiro ano do Ensino Médio realizavam um trote ao longo do ano em toda última sexta-feira do mês. Era estabelecido um tema e os alunos deveriam ir caracterizados de acordo com o tema (caipira, astro do rock, esportista etc). Dentre as possibilidades, duas foram impedidas pela direção, ir com roupa de dormir e troca de sexo. Pois bem, na última sexta do ano, os alunos do terceiro foram justamente com roupa de dormir e o sexo trocado. Foi acrescentado ainda mais uma ousadia, eles invadiram a piscina do colégio e, na catarse de fim de ano, pularam todos (ou praticamente todos). Resultado: os pais foram informados, os alunos foram enviados para casa e lhes foi zerada uma pontuação atribuída pela coordenação e que compõe a nota bimestral. Eis então que um dos alunos do terceiro ano que achou injusta a perda do ponto (ele ficaria de recuperação sem esse ponto) foi ao colégio fazer uma reclamação. Sua mãe foi junto. O diretor os recebeu e expôs a situação e justificou a medida tomada. A mãe ouviu o diretor e disse estar ciente da situação. Por fim, ela completou: "Eu concordo com vocês diretor, mas sabe como é, ele nunca me pede nada. Então quando ele pede alguma coisa, a gente tem que apoiar". Mesmo concordando com a atitude da escola, a mãe desse aluno o acompanhou para fazer a reclamação e tudo isso, creio eu, por culpa. E essa é uma impressão de diversos pais. Eles são coniventes com algumas atitudes de seus filhos porque sentem culpa de não participar da vida deles o tanto que gostariam. Não se acham, portanto, em posição de exigir determinadas posturas dos filhos, de lhes impor regras e realizar cobranças. A dinâmica familiar é outra. Pais e mães trabalham fora. Muitos se separam. O tempo em contato com os filhos pode de fato estar menor. Mas não se pode acovardar frente a essa nova dinâmica. A culpa não pode ser o principal sentimento na criação de alguém.

Prefácio


O presente blog nasce para expor uma visão passional sobre a educação no Brasil. Como uma crônica de episódios marcantes do dia-a-dia do ensino, a expectativa é utilizar a rotina do ambiente escolar como microcosmos de coisas maiores que nos cercam. Não há uma pretensão academicista, mas sim de compartilhar informações e discutir, sobretudo discutir, um pouco da realidade brasileira. Espero que gostem.